12.17.2007

6.18.2007

ajude a ami a ajudar-nos


por falar em país

mind this gap
um blog para todos aqueles que quiseram ou tiveram que sair do país porque este não lhes enchia as medidas

já são tantos!
seremos mais?

ao fim de tantos meses

pois... deixei de escrever posts neste blog (ok, escrevo alguma coisita em outros). estive mais activa durante os tempos em que vivi em barcelona. desde que estou em portugal não tenho parado de fazer, ver ou ouvir coisas diferentes (e em alguns casos interessantes) mas parece que estas não são motivo de documentação.
ou porque são mal terminadas
ou porque envolveram algum conflito ao longo do seu processo
ou porque estão sempre minadas com o negativismo e a resignação portugueses
ou porque não se tem feedback compreensivo, esclarecedor ou de incentivo... "pois não sei, vou passar a chamada"... "ah, isso é muito complicado"
ou porque o debate e a reflexão que se poderia lançar nunca leva a lado nenhum

não sei...porque não há assunto...porque não tenho assunto
aqui não me sinto inspirada... aqui não respiro fundo quando algo me fascina
aqui todos os dias, no caminho até ao trabalho, penso nas horas que lhe dedico, do pouco que recebo e na situação precária em que me encontro
aqui todos os dias baixo os olhos quando passo pelos outros que parecem ter já acordado chateados e agressivos
aqui cada vez menos leio jornais porque me parecem folhetos publicitários
aqui parece que o que se passa no resto do mundo não nos diz respeito
aqui...

mesmo assim, tento sorrir para o condutor que logo pela manhã buzina impaciente e ansioso
mesmo assim, tento dar atenção aos utentes do centro de apoio social e que todos os dias têm que ultrapassar inúmeros obstáculos físicos e sociais no pequeno passeio que dão até ao exterior
mesmo assim, digo "olá bom dia, como está?" à vizinha que olha desconfiada para a nova população do bairro e que manda "a puta da brasileira" de volta ao seu país porque só cá está para atormentar os maridos do bairro
mesmo assim, ofereço ajuda aos turistas perdidos nesta cidade sem sinalização, sem mobilidade facilitada, que vou encontrando no eléctrico 28, sobrelotado, sem horários e ameaçado de carteiristas
mesmo assim, continuo a propor-me e oferer-me voluntariamente a projectos com uma dimensão mais social e política

mas sempre há algo que atrasa, que faz parar, que faz desmotivar

mesmo assim, por agora, não quero sair, desta vez de lisboa, pela sua luz, pela sua "tímida" diversidade, pelo seu provincianismo, pela proximidade, pelas pessoas, por algo que não se sabe o quê...por alfama, pelo poço do bispo, pela picheleira, pela mouraria, sei lá...

tendo saudades de santarém, de aveiro, de porvoo, de groningen, de pau, de barcelona, de goa, de torres novas. adoro ter saudades ... preciso de sentir saudades... quando passarei a sentir saudades de lisboa?

1.03.2007

PRONTO JÁ TÁ

já tá pronto já tá
já já tá ...pronto... já tá
2007 já chegou... pronto... pronto

12.31.2006

Para terminar 2006: "AS TARTARUGAS TAMBÉM VOAM"

fui ao cinema.
vou algumas vezes e nem tenho o hábito de fazer comentários aqui no blog.
mas este...

"As tartarugas também voam" de Bahman Ghobadi (2004)
Numa aldeia do Curdistão Iraquiano, na fronteira entre o Irão e a Turquia, os habitantes e refugiados dos ataques das tropas turcas procuram desesperadamente uma antena parabólica para conseguirem informações sobre o iminente ataque dos EUA sobre Iraque. As crianças, marcadas pela guerra, mutiladas, órfãs, violadas, são obrigadas a tornarem-se adultas à força.

Bahman Ghobadi nasceu em Baneh, no curdistão iraniano, em 1969. Realizador de diversas curtas-metragens e da longa-metragem "A time for drunken horses" (2000) e "Marooned in Iraq" (2002).
Bahman realizou este filme depois de uma viagem ao Iraque, com as personagens e os cenários que aí encontrou, O seu guião consistia em 3 folhas de palavras-chave: "campo de refugiados", "miséria", "guerra", "abuso", etc. Como ele diz, "morrer naquela zona do mundo é um sofrimento menor do que viver". Os pequenos actores não tinham que actuar, bastava que vivessem o seu dia a dia em frente às câmaras.

e com isto...
senti uma impotente e áspera claustrofobia. com a cara desencaixada até ao final dos créditos.
impossível não ficar perturbado.
a situação política fica completamente em segundo plano. não vemos como nem porque é que aquelas pessoas estão ali. só vemos o seu dia a dia, as crianças a arriscar a vida com a recolha de minas, com a "arrumação" da montanha de bombas, com a troca de rádios por armas. mas vemos a sua esperança na chegada dos americanos.
há algo que se pode fazer para evitar uma situação destas?
será que o mundo será mesmo assim e não há nada a fazer senão observar?
onde e como estão agora estas pessoas?
a promessa escrita nos papeis lançados pelos helicópteros momentos antes do ataque foi mesmo cumprida? é que eles prometeram a salvação e o paraíso!

12.28.2006

IMAGINING OURSELVES, a global generation of women

Este projecto foi criado depois do 11.09.01 pelo International Museum of Women com o objectivo de averiguar qual o impacto dos nossos tempos na iniciativa activista das jovens mulheres de todo o mundo e na capacidade destas criarem uma plataforma global que crie uma mudança positiva nas suas próprias vidas, nas suas comunidades e no mundo.

Paula Goldman, a directora deste projecto, decidiu averiguar qual a importância deste projecto com o lançamento por e-mail, para mulheres dos 20 aos 40 de todo o mundo, da questão "Como se define a nossa geração de mulheres?". Recebeu milhares de respostas de mais de 100 países, 95% delas por e-mail. Aí viu a importância da criação de uma plataforma online de conversação e exibição.

Um livro já foi editado:
Imagining Ourselves: global voices from a new generation of women


12.06.2006

A-WAL EMAIL EXHIBITIOM


Para não falar sempre do mesmo gostaria de mostrar-vos este projecto de A-WAL EMAIL EXHIBITION porque acho uma ideia muito interessante para a promoção de projectos artísticos visuais. Lembra-me uma ideia que eu implementei quando trabalhei no Departamento de Marketing do Teatro Aveirense que consistia em convidar um artista visual local a "preencher" o espaço da capa e contra-capa da agenda trimestral. Isto em troca de uma apresentação do artista e do seu trabalho no interior da agenda. É claro que esta iniciativa terminou quando eu me demiti do Teatro. Como sempre!

Já agora, quero dizer que ainda não acabei a tese da pós-graduação. Em Portugal "parece" que o corpo de uma pessoa fica coberto por estas películas estranhas que andam no ar. Penso que se chamam desmotivação, comodismo e resignação. Preciso de sair imediatamente. Pelo menos já tenho o currículo em inglês para começar a preencher os formulários das NU e de algumas ONG's. Lá vou eu com a minha amiga pimpones.

Esta terra é mesmo estranha. Ainda ontem no programa "Por outro lado", numa entrevista a Federico Mayor, co-presidente do grupo da Aliança das Civilizações , a Ana Sousa Dias teimava em quebrar-lhe o seu optimismo e esperança de que um outro mundo é possível.

Bem, voltando ao A-WAL EMAIL EXHIBITION, faço um copy da explicação em inglês, ok?
The A-WAL Email Exhibition is a quarterly curated art project that is two-fold in approach. Each quarter, a curator recognized for having achieved a unique distinction in an area of experimental curatorial practice will construct the Email Exhibition around their own set theme. This will be featured on the A-WAL website as an online exhibition, and the art images are available for use as art wallpaper for A-WAL users as an extension of this project. The A-WAL Email Exhibition is a non-profit public art project, with this edition being sponsored and brought to you in kind by Batteli.

http://www.a-wal.com

9.30.2006

porque não escrevo

há muito tempo que não escrevo...ando sem pachorra
as voltas que a minha cabeça dá não me levam a lado nenhum